Foi o que eu disse para quase 40 amigos do Taiji Quan, em um jantar de despedida em Wuhan.
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Boa noite para todos, é bom vê-los aqui.
Eu sinto muito mas, como sou eu quem vai pagar a conta, tenho o direito de dizer algumas palavras… (brincadeirinha…).
Cinco anos atrás eu assistí um filme onde um Mestre de Taiji disse: “Se você quiser desenvolver suas habilidades no Taiji você precisa vir à China para conhecer nossa cultura”. Eu juntei dinheiro durante quatro anos, preparando-me para ficar sem trabalhar durante um ano e, em 29/Fevereiro/2008 eu vim para a Hubei University.
Era primavera eu eu pensei: “Que estação maravilhosa para começar minha vida na China”, porque na Primavera a natureza está em expansão e tudo cresce, florece… “Acho que minha vida também vai crescer aqui na China”, eu pensava na época.
Cheguei aqui com este pensamento otimista e sob um frio que, para mim, estava mais para um inverno rigoroso.
E comecei meus estudos sobre a Cultura Chinesa na Escola Internacional da Universidade…
No começo eu era o único esudante na classe e a professora Chen estava um pouco tímida, mas com o tempo começamos a nos acostumar um com o outro e eu adorava as suas aulas.
Uma semana depois eu estava indo de casa para a escola quando ví uma porção de gente praticando Taiji Quan na quadra de basquete. Eu fiquei muito entusiasmado mas eu não falava Chinês. Como dizer ao Mestre que eu gostaria de praticar com eles? O que fazer? Eu tinha vindo à China quase exclusivamente por causa do Taiji Quan e gostaria de treinar junto…
Fui à Escola Internacional e pedí à Professora Liu que escrevesse uma mensagem para mim, em Chinês, apresentando-me como aluno e perguntando ao Mestre se eu poderia praticar com eles. No dia seguinte fui à quadra de basquete e, em um intervalo, dirigí-me respeitosamente ao Mestre entregando-lhe a mensagem com as duas mãos (que é um sinal de importância grande para os chineses). Ele recebeu a mensagem com as duas mãos, também, percebendo que era importante.
Para minha surpresa, depois de ler a mensagem ele me respondeu em um Inglês muito legal: “É claro que você pode treinar conosco. Nós somos um grupo aberto… Venha amanhã às 7 horas.”
Eu não esperava por essa e, muito surpreso, a única coisa que conseguí responder foi “Sim, muito obrigado”. E fui para a aula morrendo de rir.
No outro dia eu estava lá e tentava seguir as pessoas na prática do Taiji 85 movimentos. “Bom, não é tão difícil, eu pensei”. A segunda prática era o Taiji do Sol, que eu tentei seguir mas não conseguia entender por que o povo ia prá lá e prá cá todo o tempo… Eu estava completamente perdido quando o Mestre Cao veio e me perguntou: “Você já havia treinado no Brasil?”.
Respondí que sim mas que, para mim, aquilo era impossível de acompanhar. Ele riu. Assim comecei minha prática na China. Logo a Maria veio conversar um pouco (ela já morou nos Estados Unidos) depois a Yang Chun Mei, o Alex, e começamos a tomar o café da manhã juntos, celebrando uma grande amizade. (1)
Devagar eu comecei a ficar viciado em mantou, doujiang, doufunao (comidas do “café” da manhã) e àquele banco de pessoas ruidosas de manhã…
E assim eu viví na China por um ano!
A coisa mais interessante é que muitos de vocês não falam Inglês e eu ainda não falo Chinês, mas sinto que somos grandes amigos. Temos uma profunda ligação só por dizer “Hello” ou “ZaoshangHao” de manhã.
Este tipo de ligação a gente não esquece nunca.
Eu estou arrumando minhas malas para voltar para o Brasil. Dentro delas estou carregando uma porção de coisas muito especiais aqui da China, que inclui:
• O jeito altruísta que Mestre Cao nos ensina e ensina quem estiver interessado em Taiji.
• O “jeitinho” especial com o qual os Chineses cuidaram de mim.
• A compreensão que os Chineses em geral têm da necessidade do outro. Algumas vezes eu não pedí nada e obtive justamente o que era necessário…
• A forma alegra e receptiva com a qual os Chineses recebem visitas em sua casa.
• O cuidado amoroso que vocês me dispensaram durante minha estada na China..
• As refeições com várias famílias durante o Festival da Primavera.
• Cafés da manhã deliciosos, preparados especialmente para mim nestes últimos dias.
Quando eu estava em Beijing ví um relógio antigo maravilhoso com a citação “Tempus Fugit” inscrita em Latim. Latim é uma língua morta que é uma raiz importante para minha língua pátria, o Português.
“Tempus fugit” significa “O tempo passa”.
Estou terminando minha estada na China (2). Meu sonho foi alcançado.
E vou voltar para o Brasil durante mais uma Primavera.
Que bela estação para começar uma nova vida no Brasil!
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(1) Coincidência (ou não) os 3 foram comigo ao aeroporto, no dia 04/02/09 quando deixei Wuhan e a China.
(2) Dois dias depos peguei o avião para voltar ao Brasil.