Gotas Chinesas
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05 - maio - 08
Hoje de manhã eu tomava café com um amigo (Alex) que é formado em Filosofia e faz Mestrado em História da China. Conversávamos sobre a poesia na China e um poeta famoso por aqui (Li Bai). Confessei ao Alex minha preocupação atual com meu aprendizado. Embora as professoras digam que estou indo bem rápido para quem está aqui há dois meses, minha avaliação é diferente. Estou preocupado com o tempo… tenho sómente um ano…
Alex deu uma larga gargalhada e me disse, ainda sorrindo: “Aprender 5.000 anos em um? É impossível até para um Chinês.”
Pronto, fiquei preparado para deixar minha preocupação de lado e curtir o processo.
Grande Alex!
27 - março - 08
No meu primeiro dia na Hubei University, logo no aeroporto eu percebí que o pessoal tinha problemas com letras… Entendí perfeitamente porque eu também tenho os mesmos problemas com caracteres chineses… (veja o artigo “Primeiro dia na Hubei University”). Agora isto ficou confirmado!
Eu realmente tenho grandes problemas com os caracteres e eles também tem seus problemas com as letras. Veja a foto: fLre extLnguLsher… OK. Cada um com seus problemas….rsrsrs20 - março - 08
• Eu tive muita sorte com as professoras que tenho: as duas são ótimas e tem muita experiência em ensinar Chinês para estrangeiros. Aí estão as duas: uma para conversação
(Han Niita) e a outra para leitura e escrita (Chen). E as aulas são quase exclusivas uma vez que meu único companheiro de classe vive doente e tem faltado a quase todas elas• Comecei a praticar Taiji Quan com leque, junto com a turma de aposentados, de manhã. Eles são um bando de velhinhos e velhinhas muito alegres e barulhentos – quando algum deles erra em alguma coisa os outros se matam de dar risada – pelo menos de manhã cedo. Como eles estão aprendendo, o professor tem prosseguido passo a passo o que é extremamente útil para mim. Depois de três dias treinando sem o leque (ainda não consegui descobrir onde comprar um) uma delas trouxe um leque a mais e veio me entregar. Eu agradeci e não consegui entender se era um empréstimo ou o que. Ao final do treino ela havia ido embora…
• Durante o treino do Taiji Quan com leque, se eu tenho alguma dificuldade, uma das velhinhas sempre se aproxima durante o intervalo, tentando ajudar. E elas dão grandes explicações de como fazer determinado movimento, que ouço atentamente. Em Chinês. A tremenda boa vontade com que elas fazem isso – tentar me ajudar – elimina qualquer possibilidade de não entendimento. A língua, realmente, não é um obstáculo se a intenção é se comunicar.
• Meus primeiros garranchos em Chinês. Para um Chinês, coisas simples demais. Para estrangeiros, uma grande luta contra o pincel e a tinta, que nunca vão para onde quero.
15 – março - 2008
• O sorvete Kibon aqui chama-se Wall’s e também é fabricado pela Unilever. Aliás, são as duas únicas palavras que entendi na embalagem, por enquanto. Também captei algo de ocidente na embalagem: uma fotografia de uma chinesa maravilhosa! Experimentei o “Magnum” chinês. Aquele com uma deliciosa casquinha de chocolate fininha recobrindo. É igual ao brasileiro. Na primeira mordida, a deliciosa casquinha de chocolate quebra e vai ao chão…
• Durante um tempo eu fiquei perdido quanto ao café da manhã. Ia ao supermercado, comprava iogurte e bolachas e pronto. Na cantina, o pessoal almoçando logo de manhã. Almoçando mesmo… Comida mesmo… Chinesa é claro. Descobri um lugar que vendia leite de soja morno. Experimentei e gostei. Mas tinha dificuldade de perfurar a embalagem com o canudinho que vinha junto. Normalmente no Brasil a embalagem tem um furo onde você espeta o canudo e pronto. Aqui é um copo de plástico bem mole, com uma tampa de celofane bem dura: um par praticamente imbatível. Consegui algum sucesso no primeiro e segundo dia. No terceiro dia eu estava em minha batalha contra o celofane quando uma chinesa alta, bem vestida e bonita, incompatível para a cantina de estudantes, se aproximou e disse algo que entendi como “Posso ajudar?”. Antes mesmo da minha resposta, ela pegou o copo da minha mão e o canudo com o punho fechado. De uma só estocada, golpeou o celofane, cravando-lhe o canudo no “peito”. Sério. Lembrei-me da cena do chuveiro do Hitchcock… Enfim, aprendi a vencer o celofane da embalagem de leite de soja. Cá entre nós, a Ades ainda precisa aprender muito no Brasil. O leite de soja daqui é delicioso.
• Os prédios de apartamentos daqui não têm elevadores, o que me faz pensar na longevidade dos chineses e suas razões… O pessoal aqui faz muito “step”. Mas as escadas têm luzes, o que seria muito legal se elas acendessem antes de você já haver tropeçado ou já haver encontrado o buraco da fechadura. A luz do meu andar (5º!) só acende depois que eu consigo abrir a porta, no escuro e esbaforido.
• Agora vai. Tenho um nome Chinês, escolhido por mim dentre outros que a professora elaborou. Fèi Dào. Para falar, você precisa falar bem bravo (porque é no quarto tom…) e pronunciar o “D” como “T”. Pena que o blog não é ao vivo: se fosse eu poderia lhe mostrar a pronúncia.
• Sinal vermelho aqui significa: “Motorista, atenção! Podem existir pedestres na faixa de pedestres!” E a turma aproveita o sinal vermelho para virar à esquerda (em cima da faixa de pedestres), fazer uma conversão (em cima da faixa de pedestres), virar à direita (em cima da faixa de pedestres), passar direto (em cima da faixa de pedestres) ou, quem sabe, atropelar algum pedestre menos avisado (em cima da faixa de pedestres). Mas tudo isso tem sentido. Eu não sei como foi a escolha das cores dos semáforos, mas sei que é uma convenção internacional (1). Aqui, essa escolha não parece ter sido muito feliz porque o vermelho e o amarelo são as cores da bandeira nacional!
(1) Quem conhecer a história poderia publicá-la em um comentário aqui? Ajude a tornar este blog um meio de divulgação de cultura inútil.
3 comentários para “ Gotas Chinesas ”
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Ferrara…
Incrível como perdemos sempre a melhor parte desse sorvete…rsss
Pelo menos fico em paz, sabendo que a casquinha de chocolate cai com todo mundo! (sempre me achei muito azarada!!!…rsss)
Em tempo: As luzes dos corredores também fazem isso comigo, principalmente em lugares que eu ainda não conheço; então acabamos por parecer malucos, levantando os braços, acenando alto e girando, só pra ver se encontramos a tal “luz”; depois que inventaram esses sensores de movimento, o negócio é assim mesmo, dá-lhe ginástica, que saudades dos interruptores…
Colaboração para a Cultura Inútil…rsss: As três cores do Semáforo:
A razão das três cores universalmente aceitas é muito simples.
O vermelho representa na natureza uma cor de aviso, alarme ou perigo da qual se servem muitos animais para afugentar os seus inimigos; esta cor tem o mesmo significado para os seres humanos. Isto deve-se ao facto de o vermelho ter uma grande comprimento de onda e alcançar rapidamente os olhos.
Por exemplo, a luz azul é de curta comprimento de onda e por isso “não salta” tanto à vista, parecendo mais discreta.
O maior contraste com o vermelho é a sua cor oposta, o verde. A teoria das cores enuncia que ambos, vermelho e verde, são complementares pois num disco de cores estão diametralmente dispostos. O amarelo foi uma cor que se incorporou mais tarde nos semáforos; depois do vermelho e do laranja é a cor de maior comprimento de onda, e com a sua ajuda pode-se proporcionar ao tráfego uma maior informação que a simples ordem de passar ou parar. Além disso, em todos os países a luz vermelha está acima, ou à esquerda, para que a possam interpretar os que têm alguma afecção na visão para o vermelho e o verde (daltonismo).
Fonte: pt.wikipedia.org
Muitos e todos os beijos, Ferrara!
Carolina Santos - 23.03.08 - 09:43am - Santos/SP Brasil
Eh muito divertido ler o que voce escreve (me desculpe…. se nao era para nosso divertimento), mas seu senso de humor eh otimo e tenho certeza que so com ele para aguentar ficar tanto tempo longe de tudo o que lhe eh confortavel e familiar.
Esse tipo de situacao que vc esta vivendo tendo a exacerbar o que de mais profundo vc tiver em seu coracao!
que venha o humor e o amor!
beijo, Luzia.
Ferrara…
Entre filosofia e filósofo, nada melhor do que o conselho sincero de um amigo feito pela poesia da vida - seu amigo Alex foi um sábio.
O aprendizado é mesmo algo relativo - já dizia Albert Einstein; aposto que ele também soltaria uma bela e bem humorada gargalhada - O argumento é mesmo ímpar: “Aprender 5.000 anos em um? É impossível até para um Chinês.”
Concordo com sua exclamação: “Grande Alex!” - Grande Filosofia!
Carolina Santos - Santos/SP - 13.05.08/21:10pm - Brasil